Júnior Almeida – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A advogada Adriane Cristine Cabral Magalhães foi indiciada pela Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) pelo crime de extorsão. O relatório final do indiciamento aponta que a advogada teria proposto um acordo financeiro de R$ 500 mil para que a vítima de um suposto estupro não denunciasse o caso.
O investigado pelo crime de abuso sexual trata-se do também advogado Francisco Charles Garcia Júnior, denunciado por uma ex-funcionária do escritório dele, a recepcionista Marcella Nascimento, no início de abril deste ano. A informação no documento consta que Adriane teria sugerido um acordo financeiro para evitar a divulgação pública de uma acusação de estupro contra Charles.
O relatório assinado pela delegada Grace Louisa Souza Jardim, do 16° Distrito Integrado de Polícia (DIP), que será encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM), apontou que há indícios suficientes da prática de extorsão pela advogada, onde foram obtidos por meio de gravações, mensagens e atas notariais.
Leia também: Advogado é suspeito de estuprar e ameaçar ex-funcionária em Manaus

Ainda de acordo com a delegada, as investigações apontam que Adriane Magalhães procurou Juliana Chaves Coimbra Garcia, esposa de Charles Garcia, no dia 4 de abril deste ano, para relatar o estupro — que até então não havia sido denunciado à polícia — e sugeriu um acordo para evitar a exposição pública do caso e uma possível denúncia, que só foi feita três dias depois, no dia 7 daquele mês.
Em um dos depoimentos de Garcia, ele afirma ter participado de uma reunião com Adriane na qual ela teria proposto o pagamento de R$ 500 mil para “resolver o caso“. Segundo ele, a proposta partiu da própria advogada. A mesma nega a acusação e diz que Charles foi o primeiro a propor um pagamento de R$ 50 mil por supostos “direitos trabalhistas“.
Defesa de Adriane Magalhães
Por meio de nota, a defesa da advogada Adriane Magalhães negou, qualquer envolvimento em extorsão no caso que envolve Charles Garcia, indiciado por estupro. Em nota, os advogados afirmam que não houve solicitação de valores por parte da profissional e que a citação a qualquer quantia partiu de um interlocutor ligado ao próprio acusado, sendo posteriormente distorcida para construir uma “falsa narrativa”.
A equipe jurídica também acusa o grupo de defesa de Charles Garcia de tentar manipular a opinião pública e desviar o foco do crime investigado. Segundo a nota, houve ainda tentativas de intimidação de testemunhas, interferências em perícias e uso indevido de estruturas do Estado para dar aparência de legalidade a um inquérito que, segundo a defesa, estaria “eivado de vícios”.
A advogada reafirma seu compromisso com a ética, o respeito à lei e a defesa das vítimas de violência, e diz que tomará todas as medidas legais cabíveis contra o que chama de “mentiras, ofensas e difamações”. A defesa também informou que o delegado responsável pelo inquérito responde a questionamentos sobre sua conduta em órgãos competentes.

O que diz Charles Garcia
A assessoria do advogado Charles Garcia informou que o inquérito conduzido pelo 16º DIP reuniu provas contundentes, que comprovariam a tentativa de extorsão no valor de R$ 500 mil contra ele e sua esposa, Juliana Chaves Coimbra.
“A extorsão está sendo combatida com a ação investigativa das autoridades competentes“, afirmou Garcia, onde afirma que jamais cedeu a qualquer tipo de intimidação. “Destaco ainda que jamais cedi e nem cederei às intimidações e reafirmo total confiança na atuação da Polícia Civil, do Ministério Público e do Poder Judiciário do Amazonas“, concluiu.






