Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro) e a Escola Superior da Magistratura do Amazonas (ESMAM) promoveram nesta terça-feira, 8/8, a palestra “Portas para o futuro: reflexões para um país melhor” com o profissional da engenharia industrial, metalurgia e segurança e higiene do trabalho, Samuel Hanan. Durante o evento, realizado no auditório Naide Lins, da Fametro, localizada na avenida Constantino Nery, zona Centro-Sul de Manaus, o palestrante levantou questões sobre o Brasil, sua arrecadação e gastos governamentais.
Leia também: ‘Não existe separação entre Sul e Norte’, afirma Maria do Carmo Seffair
A reitora da Fametro, Maria do Carmo Seffair, enfatizou a importância do evento para alunos e profissionais do mercado de trabalho. “A palestra do Doutor Samuel Hanan trouxe reflexões sobre os desafios do Brasil em definir qual caminho deseja seguir, diante dos problemas enfrentados pelo governo no gerenciamento dos recursos arrecadados.”


O evento contou também com a presença do Desembargador Flávio Humberto Pascarelli Lopes, Diretor da ESMAM, e foi uma oportunidade para alunos e profissionais discutirem os desafios do país e refletirem sobre possíveis caminhos para uma gestão pública mais eficiente e voltada ao interesse do povo.
Samuel Hanan iniciou sua palestra destacando uma perspectiva crítica sobre o país. Para ele, “O Brasil é um país que arrecada muito e gasta mal”, sustentando sua afirmação com a ideia de que o Brasil perde oportunidades constantemente devido aos privilégios concedidos aos donos do poder. O palestrante argumenta que o povo não é prioridade para os maus governantes e que a falta de foco nos interesses da nação impede o país de avançar.
“Meu pai dizia: ‘meus filhos, estudem muito. O Brasil é o país do futuro, é o país das oportunidades’. Fiquei velho e aprendi que ele era um otimista. Porque ele errou. O Brasil joga fora as oportunidades todo o dia pelos privilégios que os donos do poder querem ter. O Brasil não tem problema. Quem tem problema é o governo”, disse Hanan, taxativo.
O profissional da engenharia industrial aponta que, ao longo dos anos, o Brasil tem sido palco de promessas vazias e falta de compromisso por parte dos presidentes, independente do partido político a que pertençam. Hanan enfatiza que todos os presidentes após a promulgação da Constituição de 1988 seriam merecedores de um cartão vermelho, já que, na sua visão, nenhum deles tem representado verdadeiramente os interesses do povo brasileiro.
“Se eu fosse juiz de futebol, dava cartão amarelo e vermelho para todos os presidentes. Após 1988, dava vermelho. Todos reprovados. Nenhum é presidente do povo. Tudo é mentira, falácia. Prometem e não cumprem. Não tem diferença”, ressaltou.

O ponto impactante e revelador sobre essa realidade, de acordo com o autor, é a situação atual dos políticos, que ele compara aos donatários das capitanias hereditárias do século 16. Segundo Hanan, o povo se tornou vassalo de poucos políticos, o que prejudica o desenvolvimento do país e a concretização de um futuro melhor para todos. Ele ressalta que o setor público brasileiro precisa passar por mudanças significativas para que o Brasil possa trilhar um caminho de progresso.
“Já ouviu falar nas capitanias hereditárias? Em 1534, você tinha os donatários que podiam tudo e os vassalos, nada. E está assim hoje. O povo é vassalo de meia dúzia de políticos. Não pode dar certo. Tem tudo para dar, mas com esse setor público vai demorar.”
Além da palestra, o evento marca o lançamento do livro “Caminhos para um país sem rumo”, que reúne 26 artigos escritos por Samuel Hanan. Em reconhecimento à sua contribuição para o aperfeiçoamento do Direito e da jurisdição, o palestrante foi condecorado com a “Medalha do Mérito Acadêmico” da ESMAM.
Os participantes da palestra foram agraciados com exemplares do livro de Samuel Hanan, proporcionando a disseminação das ideias e reflexões apresentadas durante o evento, na busca por um país mais justo, transparente e com um futuro promissor.






