Em uma semana de pontificado, o Papa Leão XIV – o americano (no sentido continental da palavra, já que nasceu nos Estados Unidos e trabalhou no Peru) Robert Francis Prevost – já se mostrou atento à comunicação, em especial a digital.
Isso ficou claro em seu primeiro encontro com jornalistas e ao criar uma conta no Instagram que no mesmo dia ultrapassou 1 milhão de seguidores.
“Desarmemos a comunicação de todo preconceito, rancor, fanatismo e ódio; purifiquemo-la da agressividade. Não precisamos de uma comunicação estrondosa e muscular, mas de uma comunicação capaz de ouvir, de acolher a voz dos frágeis que não têm voz”, aconselhou Leão XIV.
Na mesma temática, ouviu-se um Papa solidário a jornalistas que arriscam suas próprias vidas para informar sobre guerras e suas consequências nocivas à sociedade e às próprias vidas dos jornalistas.
“O sofrimento destes jornalistas presos interpela a consciência das Nações e da Comunidade internacional, chamando-nos a todos a salvaguardar o bem precioso da liberdade de expressão e de imprensa”, alertou.
Ainda em sua fala para jornalistas, vimos um Papa preocupado com os efeitos de tecnologias, como as IAs, que outrora já exploramos por aqui:
“Penso, em particular, na inteligência artificial com seu imenso potencial, que exige, no entanto, responsabilidade e discernimento para orientar os instrumentos para o bem de todos, para que possam produzir benefícios para a humanidade”, disse.
Mas, afinal, o que isso comunica para o mundo?
No auge das minhas três décadas e meia de vida e da consciência de que quanto mais estudo mais ‘sei que nada sei’ [Sócrates], me arrisco a responder tal pergunta, emprestando um pouco dos meus 15 anos de experiência nessa área.
O então Cardeal Prevost, assim como outros bilhões pelo mundo, viu a tamanha atenção dada à escolha do novo líder da Igreja Católica. Segundo o Vaticano, foram mais de 6 mil jornalistas de 90 países credenciados para cobrir o ‘Habemus Papam’.
E não se engane, isso não é de agora. Certamente, Francisco tem peso nisso. Foi em seu pontificado, a partir de 2013, que o Vaticano e o próprio argentino Jorge Mario Bergoglio intensificaram a presença digital da Igreja aos fiéis. É como dizem: Francisco andou para que Leão XIV pudesse correr.
E essa corrida começou na escolha de como Prevost chamaria, em clara referência a Leão XIII, um papa inovador para sua época na visão do Vaticano, que lidou com desafios do mundo moderno na virada do século XIX para o século XX, sendo inclusive o primeiro Papa filmado no Vaticano e o primeiro a realizar um encontro com a imprensa. Pura coincidência com nossa atualidade? Não.
Comunicação, como aprendemos e sempre faço questão de repetir, está nos detalhes: nas vestes, nos gestos, na fala e na escuta, nos simbolismos quase imperceptíveis, mas que estão ali para comunicar.
E, nestes meados da terceira década do século XXI, mais do que nunca, saber se comunicar é basilar. No caso de um líder, então, é questão de sobrevivência. Por isso, um ‘Papa Pop’ (Alô, Engenheiros do Hawaii!) faz todo sentido. É quase uma exigência para o cargo. Ser pop = popular, acessível, que está ‘na boca do povo’.
E se até o papa está atento à importância da comunicação digital, sobretudo em posições de liderança. E você? Espero ter deixado no mínimo boas reflexões em sua mente, ou melhor ter alugado um ‘Vaticano’ inteiro na sua cabeça com esse assunto.