Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Ser mãe é uma experiência desafiadora, e quando se trata de crianças atípicas, os obstáculos são ainda maiores. A psicóloga Déborah Pacheco, que também vive a maternidade atípica, reforça que cuidar de si mesma é essencial para conseguir enfrentar a rotina exaustiva, “para cuidar do outro, você tem de cuidar de si”, destaca ela.
Essa realidade envolve desde dias agitados e noites em claro até o enfrentamento do preconceito nas ruas e da autocobrança em casa. A maternidade atípica exige dedicação integral, adaptação contínua e, muitas vezes, renúncia pessoal.
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Vanessa Scalabrin, mãe do Gabriel, de 14 anos, compartilha como começou a desconfiar que seu filho possuía algum transtorno, diante da agitação constante, o que deu início a uma longa caminhada até o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Eu vim descobrir, quando ele tinha três anos, devido a ele chorar muito e não falar. Foi quando eu vim descobrir sobre o autismo, porque até então eu nunca ouvi falar nada disso. E os desafios são todos, se você hoje em dia não tiver dinheiro, condições financeiras, porque pelo SUS, pelo Estado, ninguém te apoia em nada, foi uma longa caminhada”, afirmou ela.

Ela relata que, além dos desafios da rotina, ainda precisa lidar com a falta de empatia e o preconceito das pessoas, que muitas vezes julgam o comportamento da criança como falta de educação.
“Não é fácil você ter um filho atípico, ou muitas das vezes ele dá escândalos em supermercado e todo mundo me olha com um olhar de condenação e você sai de lá arrasada. Porque muitas das vezes as pessoas olham assim e dizem assim: não sabe dar educação”, afirmou ela.
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Déborah Pacheco explica que os impactos emocionais que as mães atípicas enfrentam após o diagnóstico dos filhos são compostos por muitas emoções, e que cada mãe vive essa experiência de forma diferente.
“Primeira coisa que a gente começa a sentir é um mix de realidade, desde ansiedade, depressão e autoquestionamento do que foi que deu errado, né? E uma das grandes preocupações é: quais são as necessidades de habilidade que devem ser adquiridas pelos nossos filhos e a quantidade também de cargas emocionais que nós vamos receber durante todo esse processo” destaca ela.

A especialista reforça que, para as mães de crianças atípicas, manter o autocuidado é crucial, pois a maternidade atípica pode ser extremamente estressante. Práticas como exercícios físicos, sono adequado, alimentação saudável e momentos de relaxamento ajudam a recarregar as energias.
“Primeiro é lembrar de cuidar de si. Tome consciência de que uma alimentação é importante, o descanso e a preparação física para a sobrecarga que a gente tem durante o nosso dia a dia. Você começa a compreender que, para cuidar do outro, você tem de cuidar de si. Ela consiga ter os estímulos hormonais necessários, como a dopamina e serotonina, sempre renovada através da conciliação entre manter emocionalmente equilibrada”, explicou a especialista.
Rede de apoio
A rotina intensa motivou Núbia Brasil a criar a Associação Mães Unidas pelo Autismo (AMUA), em 2018, com o objetivo de conseguir realizar o atendimento para o seu filho e para outras crianças com o transtorno.

“Então a necessidade do meu filho e de outras mães que também constituíram a associação comigo era atender às terapias, então esse foi o maior objetivo, porque esse atendimento sempre foi escasso, o atendimento médico e ajudar no desenvolvimento dessas pessoas autistas, porque não se dá alta de um autista, os atendimentos são contínuos”, contou ela.

Segundo Núbia, os atendimentos com psicólogos, fonoaudiólogos e psicopedagogos buscam gerar suporte tanto para o paciente quanto para a família que, em sua maioria, são as mães que acompanham essas crianças.
Ela reforça que, mesmo sendo uma caminhada com muitos desafios, desde o diagnóstico, tratamento, impacto emocional e lutas diárias, não se pode desistir.
“A caminhada é longa, é doída, porque você está lidando com preconceitos, com olhares e vários ‘nãos’. A deficiência não está na pessoa, a deficiência está nos nossos governos. Nenhuma mãe queria ter um filho com deficiência. Mas, se tem, cabe a nós ajudar a desenvolver e dar uma qualidade de vida e a gente faz o que for possível. Então, o conselho é, não desistir. Não é fácil, mas você consegue”, apontou Brasil.

Atendimentos na AMUA
A associação está localizada na rua 6, conjunto Cidadão, bairro Tarumã, e funciona para atendimentos de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
O agendamento deve ser realizado com antecedência pelos números (92) 98117-2447 ou pelo Instagram @amua2018.
*Com colaboração de Nicolly Teixeira






