Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O senador Omar Aziz (PSD) tem reforçado sua movimentação política para disputar novamente o Governo do Amazonas. Em entrevista concedida a um grupo de jornalistas, na última semana, ele voltou a defender a retomada das obras da Cidade Universitária, em Iranduba (a 34 quilômetros de Manaus), hoje abandonada e em ruínas.
Segundo Omar, se for eleito novamente governador, irá concluir o projeto. “Pretendo, se Deus me permitir. Não é para mim, é para outras gerações”, afirmou.
Investimento milionário e abandono
A construção foi uma iniciativa do próprio senador quando ocupava o cargo de governador e foi orçada, na época, em R$ 300 milhões. Após sua saída em 2014, as obras foram paralisadas, mesmo com cerca de R$ 100 milhões já investidos pelo Estado.
Em 2018, o custo para concluir o complexo foi estimado em R$ 700 milhões. Omar justificou que obras dessa magnitude não se finalizam em apenas três anos e disse que caberia aos governos seguintes dar continuidade ao projeto. “Eu iniciei a Cidade Universitária. Primeiro tivemos que fazer os acessos, concluir a ponte [Rio Negro]”, destacou.
A estrada de acesso, com 7 km, foi construída entre 2013 e 2015 e custou R$ 44,5 milhões aos cofres públicos.
Senador responsabiliza gestões posteriores pelo abandono
O senador lamentou a interrupção dos trabalhos, mas disse que não se sente pessoalmente atingido e responsabiliza as gestão posteriores pelo abandono da obra. “Ninguém conclui uma universidade desse porte em dois ou três anos. O que não pode é sofrer solução de continuidade. O dinheiro estava em caixa, tinha orçamento. Não deram por maldade. Mas não foi contra o Omar, não”, afirmou.
Omar detalhou que o projeto previa 2 mil apartamentos, cada um para dois estudantes, com foco em alunos vindos do interior. “No primeiro momento, serão mil apartamentos, o que já atenderia 2 mil alunos. É como nas universidades americanas, em que os estudantes têm alojamento dentro da própria universidade”, explicou.
Apesar da promessa inicial, apenas pouco mais de 20% da obra foi executada, e o contrato com a construtora foi cancelado.
Falta de recursos e entraves judiciais
Em sua gestão, José Melo (PROS), sucessor de Omar, atribuiu a paralisação à falta de recursos financeiros. Em 2014, a construção da estrada de acesso, orçada em R$ 42 milhões, criou uma via com oito faixas que leva a um canteiro de obras sem conclusão à vista.
Em 2017, a situação se agravou com uma decisão judicial que suspendeu qualquer intervenção no local, devido a riscos ambientais. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o licenciamento ambiental do projeto era insuficiente.
O MPF apontou uma série de irregularidades, como ausência de medidas para tratar efluentes, impacto em corpos hídricos, e danos a sítios arqueológicos, como o aterramento do Igarapé Chico Preto.
A decisão judicial destacou que “há notícias de danos já consolidados” e apontou falhas técnicas e falta de informações precisas sobre os impactos ambientais da obra.






