Júnior Almeida- Rios de Notícias
VATICANO – Com a morte do Papa Francisco, aos 88 anos, na segunda-feira, 21/4, o mundo acompanha o fim de um pontificado que durou 12 anos. Agora, a Igreja Católica se prepara para eleger o 267º papa por meio do tradicional conclave — votação secreta realizada entre os cardeais com direito a voto.
Ao todo, 252 cardeais estão aptos a participar do processo, que ocorre a portas fechadas na Capela Sistina, no Vaticano. A decisão é aguardada com expectativa global, marcada simbolicamente pela fumaça branca que sinaliza a escolha do novo pontífice.
Conclave mais longo da história
Apesar de hoje o processo ser relativamente rápido, nem sempre foi assim. No século XIII, por exemplo, a eleição de um novo papa levou quase três anos. Após a morte do Papa Clemente IV, em 1268, a Igreja ficou dividida por disputas políticas. O impasse chegou ao ponto de os líderes civis da cidade de Viterbo, a cerca de 85 km de Roma, trancarem os cardeais até que chegassem a um acordo — origem do termo conclave, do latim cum clave, que significa “com chave”.


Somente em 1271, após intensa pressão, foi eleito Gregório X. Ao assumir, ele promoveu reformas no processo de escolha para evitar desgastes semelhantes. Atualmente, as regras são mais rígidas, e o conclave costuma durar apenas alguns dias. Para efeito de comparação, o mais curto da história ocorreu em 1939, com a eleição de Pio XII, em apenas 24 horas.
Entenda o ritual da escolha do papa
No dia do conclave, os cardeais participam de uma missa na Basílica de São Pedro, presidida pelo decano do Colégio Cardinalício — atualmente, o italiano Giovanni Battista Re. Em seguida, seguem em procissão até a Capela Sistina, preparada especialmente para o ritual: bancos dispostos para a votação e um fogareiro, onde são queimadas as cédulas e anotações, compondo o famoso sinal de fumaça.
Durante todo o processo, os cardeais ficam isolados, sem acesso a dispositivos eletrônicos ou qualquer forma de comunicação com o mundo exterior. Se a eleição começar à tarde, apenas uma votação será realizada no primeiro dia. A partir do segundo dia, podem ocorrer até quatro votações diárias — duas pela manhã e duas à tarde.
Cada cardeal escreve o nome do seu escolhido em um papel retangular e o deposita em uma urna. A apuração é feita por três cardeais: dois leem silenciosamente os votos e um os anuncia em voz alta. Em seguida, as cédulas são perfuradas, amarradas e queimadas.
A fumaça branca sinaliza ao mundo que o novo papa foi escolhido. Caso o resultado não seja alcançado, a fumaça sai preta, indicando que a decisão ainda não foi tomada.






