Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As entidades das classes do Comércio e da Administração do Amazonas se manifestaram nessa segunda-feira, 21/4, contra o reajuste da tarifa de ônibus urbano em Manaus, que elevou o valor do vale-transporte de R$ 4,50 para R$ 6,00, representando um aumento de 33,33% para os trabalhadores.
Segundo informações da associação, a preocupação é com o impacto que o reajuste causa sobre o vale-transporte dos empregados, mesmo sendo parcialmente custeado pelos empregadores. A Lei nº 7.418/1985 permite o desconto de até 6% do salário-base do trabalhador para contribuir com esse custeio.
De acordo com a nota divulgada, na prática, isso significa que quem arca com uma parte expressiva desse aumento é o próprio trabalhador, que terá seu poder de compra reduzido.
“Esse reajuste compromete diretamente o consumo das famílias e impacta negativamente a atividade econômica — especialmente no comércio, serviço e indústria da construção, que dependem da circulação de renda para manter empregos, vendas e arrecadação. O efeito é em cadeia: menos renda, menos consumo, menos atividade no comércio e nos serviços”, diz a Abrasel no Amazonas.
As entidades também ressaltam que um reajuste dessa magnitude, sem qualquer escalonamento ou diálogo com os setores produtivos, penaliza duplamente os pilares que sustentam a economia da cidade: as empresas formais e os trabalhadores.
Um valor intermediário, como R$ 5,00, poderia ter sido adotado de forma escalonada e com menor impacto social e econômico.
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Passagem de ônibus a R$ 6 pode consumir até 24% do salário mínimo em Manaus
Desde o domingo, 20, o valor da tarifa do transporte coletivo em Manaus passou de R$ 4,50 para R$ 6,00. O reajuste foi anunciado pelo prefeito David Almeida (Avante) no sábado, 19, por meio do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU) e publicado no Diário Oficial do Município (DOM).
O novo decreto, no entanto, estabelece valores diferenciados para alguns grupos de usuários. Quem pagar em dinheiro ou com o cartão eletrônico PassaFácil pagará R$ 5 por passagem. Estudantes com carteira estudantil válida continuam pagando R$ 2,50.
Além disso, uma tarifa social de R$ 4,50 será oferecida a beneficiários do Cadastro Único (CadÚnico), mas somente após a emissão de um novo cartão específico, o PassaFácil Social em até 60 dias.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS ouviu economistas sobre os impactos do reajuste. Para quem recebe um salário mínimo (R$ 1.518 em 2025), os gastos com transporte podem comprometer até 24% da renda mensal.
“O aumento vai impactar principalmente as famílias de baixa renda, que agora devem gastar entre R$ 300 e R$ 360 por mês com transporte, dependendo do número de dias úteis e da frequência de uso. Isso pressiona bastante o orçamento doméstico”, afirma Altamir Cordeiro, ex-vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas (Corecon).






