Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – No Dia do Jornalista, celebrado nesta segunda-feira, 7/4, a rotina de quem se dedica a informar a sociedade ganha ainda mais destaque diante dos desafios atuais.
Em um cenário cada vez mais tomado por desinformação e ataques virtuais, profissionais da imprensa seguem firmes na missão de apurar e divulgar informações verdadeiras com responsabilidade. O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com especialistas da área para entender como o jornalismo vem enfrentando essa nova realidade.
Desinformação aumenta os desafios da checagem jornalística
Além da intensa rotina de apuração e produção de conteúdo, os jornalistas passaram a lidar com um novo obstáculo: o combate diário à avalanche de notícias falsas disseminadas nas redes sociais. Muitas dessas informações são compartilhadas sem qualquer compromisso com a verdade, o que exige dos profissionais um esforço ainda maior na verificação dos fatos.
Segundo a jornalista Katia Brembatti, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), os ataques à imprensa aumentaram de forma significativa nos últimos anos, especialmente durante eventos como as eleições de 2018 e a pandemia de Covid-19. Em 2022, ano eleitoral, os casos chegaram ao auge.
“Nos últimos anos, percebemos uma escalada nos ataques à imprensa. Os dados mostram um crescimento constante a partir de 2018. O pico foi em 2022, especialmente no período pós-segundo turno das eleições, quando registramos 70 ataques graves em apenas dois meses. E o mais preocupante é que os níveis continuam altos”, alerta Katia.

A jornalista ressalta que o discurso de autoridades públicas contribui para esse cenário ao descredibilizar o trabalho da imprensa.
“Existe uma tentativa clara de desumanizar o jornalista e transformá-lo em inimigo. Quando lideranças adotam esse discurso, ele se espalha e encoraja ataques por parte de seus seguidores”, afirma.
A Abraji monitora casos de violência e violações contra jornalistas desde 2013, com o objetivo de ampliar a conscientização e colaborar no enfrentamento ao problema.
Precarização da profissão e o impacto das redes sociais
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Amazonas (Sinjor-AM), Wilson Carlos Braga, aponta que o uso indevido das redes sociais, muitas vezes por pessoas sem formação na área, também prejudica o exercício da profissão.

“Há uma informalidade crescente, em que esses novos personagens da comunicação atuam sem garantias trabalhistas e sem qualquer compromisso com os princípios do jornalismo. Isso precariza a profissão e confunde o público”, ressalta.
Ele lembra que, embora as redes sociais tenham um papel importante na comunicação atual, é preciso estabelecer regras claras para combater abusos.
“A internet não é terra sem lei. Já temos o Marco Civil da Internet, e o Projeto de Lei 2630/2020 busca justamente criar uma regulação democrática e transparente”, pontua Braga.
A resistência jornalística frente às fake news
A jornalista Rosaly Pinheiro, âncora do Jornal da Rios, da Rádio RIOS FM 95,7, observa que muitos conteúdos falsos ganham força com a divulgação de áudios ou mensagens compartilhadas por cidadãos comuns — muitas vezes sem qualquer critério ou checagem.
“O maior desafio é lidar com pessoas que já estão convencidas por essas inverdades. Elas confrontam profissionais de imprensa com argumentos baseados em mentiras. E entrar nesse tipo de embate pode ser desgastante e improdutivo para o jornalista”, explica Rosaly.

Ela reforça que o papel da imprensa é buscar, sempre, a informação correta e confiável.
“O combate às fake news é estrutural. Os veículos estão criando mecanismos para checagem de fatos, especialmente nas plataformas digitais. Aqui na Rede Rios, nosso lema é ‘jornalismo de verdade’. Orientamos nossos ouvintes e leitores a desconfiar e checar as informações antes de compartilhá-las”, destaca.
Para a jornalista, o jornalismo não apenas informa, mas transforma. “Antes, o jornalismo formava opinião. Hoje, ele também precisa ser agente de transformação social, diante de tanta desinformação”, conclui.






