Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – É possível unir arte e ciência com elementos da natureza? O pesquisador e artista plástico amazonense, Haroldo Ayres, comprovou que sim.
Desde a pandemia, o ilustrador científico desenvolve projetos inovadores que transformam biomassa em pigmentos naturais para pinturas científicas. Além disso, ele utiliza fuligem proveniente da queima de combustíveis por veículos que circulam em Manaus como matéria-prima para a produção de tinta usada em suas obras no ateliê.
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou neste domingo, 6/4, com o pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e especialista em reciclagem sobre o Projeto Carbonização, que alia sustentabilidade, arte e ciência.

“O Projeto Carbonização veio da observação das fuligens produzidas pelos carros, caminhões e ônibus ainda na época da pandemia da Covid-19. Preparei recipientes para coletar este material e transformei o carbono considerado um vilão mundial, em uma peça fundamental para a arte, com a fuligem consegui produzir pigmentos para tinta e desenhos científicos que faço até hoje”, explicou.
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Em suas obras, Haroldo utiliza papéis reciclados e reutilizados para retratar a flora e a fauna amazônicas, reforçando a importância da região, que é foco de atenção mundial. A anatomia humana também está presente em suas telas científicas, incluindo representações de fósseis — com destaque para os encontrados na própria região amazônica.
Pigmentos naturais
Haroldo contou que também produz pigmentos a partir da fuligem da lamparina, utensílio muito utilizado nas comunidades ribeirinhas. Essa prática reforça seu compromisso com a sustentabilidade e com a valorização dos saberes locais.
“Nasci em um seringal do Amazonas, tenho no meu sangue a vontade de retratar a flora e fauna com matéria prima natural”, explicou

Esses pigmentos são substâncias químicas extraídas de elementos da natureza, como plantas, animais, micro-organismos, frutas, legumes, folhas e flores. O uso de pigmentos naturais tem ganhado destaque diante da crescente demanda por práticas sustentáveis nos setores artístico e industrial.
Outro trabalho desenvolvido por Haroldo, como ilustrador científico, investiga o processo de transformação da biomassa em pigmentos para pintura. A pesquisa destaca não apenas as vantagens ambientais desse método, mas também as propriedades físico-químicas dos pigmentos e seu potencial de aplicação tanto na arte quanto na indústria.
“A pesquisa abrangeu a caracterização dos pigmentos, suas fontes, os processos de extração e suas aplicações. Conclui-se que a utilização de biomassa para a produção de pigmentos é uma alternativa viável e sustentável, que pode contribuir para a redução do uso de produtos sintéticos e promover práticas ecológicas na arte e na indústria”, ressaltou o pesquisador.
Impacto ambiental
Nos últimos anos, a preocupação com o impacto ambiental dos processos industriais tem impulsionado a busca por soluções sustentáveis no setor de tintas e pigmentos. A tendência é substituir substâncias sintéticas e potencialmente tóxicas por alternativas mais ecológicas e menos agressivas ao meio ambiente.

A transformação de biomassa em pigmentos envolve a extração de compostos naturais presentes em plantas, como hortaliças e frutas, originando os chamados pigmentos a partir de resíduos agrícolas.
“Com o crescimento da produção agrícola, resíduos como cascas de frutas, folhas e talos de hortaliças se tornam abundantes. Esses materiais podem ser processados para extrair pigmentos, oferecendo uma solução sustentável ao reaproveitar materiais normalmente descartados. Além disso, o uso desses resíduos contribui para a diminuição da quantidade de resíduos sólidos”, concluiu.






