Júlio Gadelha – Rios de Notícias
SÃO PAULO (SP) – A comediante Juliana Oliveira, ex-assistente de palco do programa The Noite, de Danilo Gentili, acusou o apresentador Otávio Mesquita de estupro durante uma gravação realizada em abril de 2016. Juliana entrou com uma representação criminal no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), alegando que foi apalpada nas partes íntimas por Mesquita durante a gravação.
A acusação ganhou repercussão após um vídeo do episódio começar a circular nas redes sociais na última quinta-feira, 27/3. Nas imagens, Mesquita aparece pendurado em um cabo, vestido de Batman, e ao descer no palco, ele toca os seios e outras partes do corpo de Juliana Oliveira, que o ajudava a remover o equipamento de segurança. Em outro momento, o apresentador simula movimentos sexuais enquanto abraça a comediante.
Repercussão
O vídeo gerou grande repercussão nas redes sociais, com muitos internautas apontando o visível desconforto de Juliana. “Dá para ver claramente que ela fica incomodada. Ela reclama duas vezes e faz cara feia. Ele fez na brincadeira, mas tem que saber fazer sem incomodar”, comentou um usuário. “Ela estava bastante desconfortável e constrangida, e é fato que pela irreverência dele, ele possa ter saído do controle.”
Em determinado momento da gravação, Danilo Gentili chega a comentar a situação: “Juliana está fazendo cara feia, mas eu sei que ela gostou”. Mesquita, por sua vez, fez uma declaração que gerou indignação: “Eu vou falar uma coisa para você, que na sua história, fora os seus namorados, ninguém fez. Sem querer, eu dei uma apertada nas peitocas dela… ‘é durinho’, ‘é durinho'”.
O que diz Mesquita?
Otávio Mesquita negou as acusações em resposta ao jornal Folha de S.Paulo, afirmando que tudo não passou de uma brincadeira previamente combinada com Juliana. “É um absurdo [essa acusação]. Aquilo foi gravado. Ela demorou nove anos e só fez isso agora porque foi demitida e está chateada”, afirmou o apresentador.
Ele também questionou o fato de a cena ter sido exibida sem edição, caso a comediante tivesse se sentido desconfortável. “Minha ex-mulher e o meu filho estavam lá na plateia. Não houve um estupro. Foi uma brincadeira”, reiterou. Mesquita destacou ainda que não recebeu nenhuma notificação oficial sobre a representação e que pretende processar Juliana por danos à sua imagem.
Embora tenha negado as acusações, o apresentador reconheceu, no entanto, que a percepção do episódio mudou com o tempo. “Agora vendo o vídeo com o olhar dos tempos atuais, sei que não repetiria isso. Naquela época, podia brincar muito, mas enfim. A distância entre o que aconteceu no palco e um estupro é gigantesca, é absurdo isso”, declarou.
Na sexta-feira, 29/3, Mesquita se manifestou também em suas redes sociais, reafirmando que tudo não passou de uma brincadeira e alegando que Juliana estaria agindo por ressentimento devido à sua demissão. O apresentador reforçou que pretende processá-la por calúnia e difamação.

Posição da defesa de Juliana
O advogado de Juliana Oliveira, Hédio Silva Jr., afirmou à Folha de S.Paulo que “a lei penal considera que a prática de atos libidinosos mediante violência configura estupro, ainda que não haja penetração”.
Ele destacou que o medo do julgamento social e a cultura de silenciamento muitas vezes impedem as vítimas de buscar justiça prontamente, o que torna fundamental a intervenção do Ministério Público para garantir a responsabilização dos agressores.
A defesa de Juliana afirmou que a comediante não irá se manifestar sobre o caso neste momento.






