Nayandra Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) criticou, em coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 26/3, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que o tornou réu pelos atos de 8 de janeiro. Além de questionar a legalidade do processo, ele cobrou transparência sobre o inquérito, classificado como sigiloso.
“Por que vocês não podem tomar conhecimento? O que tem lá dentro?”, questionou Bolsonaro, referindo-se ao documento que trata da lisura das eleições e da apuração de supostas fraudes contra sua candidatura. Segundo ele, qualquer solicitação de acesso ao material é negada pela Justiça Eleitoral. “A alma da democracia é o voto. E o voto contabilizado”, reforçou.
Bolsonaro também criticou a atuação do ministro Alexandre de Moraes, afirmando que todas as decisões do magistrado são mantidas sob sigilo. “Tudo que acontece aqui, por parte do senhor Alexandre Moraes, é confidencial, é secreto. Oito delações do CID, secreto. E o que está lá dentro?”, afirmou, referindo-se ao tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência.
Críticas à condução dos atos de 8 de janeiro
Durante a coletiva, Bolsonaro alegou que a invasão ao Palácio da Alvorada, ocorrida em 8 de janeiro de 2023, foi “facilitada”. Segundo ele, o local conta com um contingente de aproximadamente 60 militares armados, mas, no dia do ataque, nenhum deles foi visto reagindo. “Facilitaram a entrada deles. Não resta dúvida”, declarou.
O ex-presidente também criticou a imprensa, alegando que apenas a imagem de um invasor com uma camisa estampada com seu rosto derrubando o relógio do Palácio foi amplamente divulgada. Ele ainda rebateu notícias que apontaram que a manifestação de seus apoiadores no dia 16 de janeiro “flopou” – gíria usada para indicar fracasso. “3,5 milhões de pessoas acompanharam os atos à distância pelas redes sociais”, afirmou.
Bolsonaro se torna réu no STF
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal decidiu, por maioria de votos, tornar Bolsonaro réu pelos crimes de golpe de Estado e tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, conforme os artigos 359-L e 359-M do Código Penal.
Com essa decisão, Bolsonaro se torna o primeiro ex-presidente eleito a responder judicialmente por crimes contra a ordem democrática desde a promulgação da Constituição de 1988. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que há “elementos mais do que suficientes” para o recebimento da denúncia, apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Além dos crimes já mencionados, Moraes votou para que Bolsonaro responda também por organização criminosa armada, dano qualificado pelo emprego de violência e grave ameaça, e deterioração de patrimônio tombado. Caso condenado por todas as acusações, a pena do ex-presidente pode ultrapassar 30 anos de prisão.






