Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Manaus tem registrado casos alarmantes de violência física e psicológica contra crianças, adolescentes e adultos autistas. De acordo com entidades que lutam pelos direitos das Pessoas com Deficiência, apenas no primeiro trimestre deste ano, foram contabilizados oito casos de agressões e violência contra autistas na capital amazonense.
Para exigir justiça diante desses episódios, que têm se tornado recorrentes, mais de 200 pessoas, entre pais, mães e amigos de autistas, vão se reunir em frente ao Fórum Henoch Reis, no bairro São Francisco, na zona Sul de Manaus, nesta sexta-feira, 28/3. O ato tem como principal motivação o caso do adolescente autista agredido por um motorista no dia 19 deste mês, no bairro Colônia Terra Nova, na zona Norte de Manaus, além de outras vítimas de violência.
A manifestação pacífica está prevista para começar às 8h30. A mãe do adolescente de 14 anos, que prefere não se identificar por temer represálias do agressor, que mora nas proximidades de sua residência, esteve nesta segunda-feira, 24, na Câmara Municipal. Acompanhada de representantes de entidades que defendem os direitos dos autistas, ela buscou sensibilizar os parlamentares sobre o caso de violência contra seu filho.

Lena Ribeiro, representante do grupo Mães Atípicas, que desde 2021 oferece apoio jurídico e emocional às famílias vítimas de violência, cobra das autoridades providências contra a impunidade desses casos. “Inclusive o do meu filho, que também foi agredido, e até hoje nenhum agressor foi preso”, afirmou.
O caso mais recente de maus-tratos ocorreu nessa segunda-feira, quando um aluno de 12 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), de uma escola municipal na zona Norte, teve o braço puxado com força por uma auxiliar da escola enquanto estava agitado. A tia do menino precisou intervir para evitar algo pior. “Ele ficou tão assustado que se urinou. É preciso ter paciência com uma criança autista”, desabafou a familiar.
Caso Mateus
A contadora Nonata Nogueira, de 65 anos, é uma das mães atípicas que participará da manifestação desta sexta-feira. Em entrevista exclusiva ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS nesta terça-feira, 25/3, ela relatou o caso de seu filho, o publicitário e designer gráfico Mateus Nogueira de Souza, de 33 anos, brutalmente agredido no ano passado sem ter qualquer chance de defesa.


“Eu e o pai do Mateus somos separados. Na noite da agressão, eu estava incomunicável em um sítio da família, enquanto ele estava com o pai. Meu filho marcou um encontro e pegou um Uber sozinho, mas o motorista o deixou no local errado. Como o celular dele estava descarregado e a porta de um apartamento estava entre aberta, ele parou frente a porta para pedir permissão para carregar o telefone. A moradora se assustou, gritou, e então o pai dela, o irmão e mais dois homens bateram no meu filho, eram quatro espancando-o violentamente e três segurando ele, antes de chamar a polícia”, explicou Nonata.
Segundo a mãe, ao chegar à delegacia, Mateus foi algemado e teve seu celular revistado, mas a polícia só chamou o pai dele horas depois. “O pai questionou toda aquela violência, perguntando por que nosso filho estava algemado, já que é autista. No dia seguinte, ele passou o dia inteiro na delegacia para registrar o boletim de ocorrência. Porém, os agressores também registraram um BO, alegando que Mateus foi espancado porque teria importunado sexualmente a mulher do apartamento. Dessa forma, meu filho passou de vítima a réu. O caso foi encaminhado ao Ministério Público e ficou por isso mesmo”, desabafou.
Em 2024, mães atípicas e pais de autistas organizaram uma passeata para chamar a atenção para o caso de Mateus e de outras vítimas de violência contra pessoas com TEA. Agora, eles esperam que a mobilização desta sexta-feira traga mais visibilidade para essas injustiças e pressione as autoridades por respostas concretas.






