O anúncio do show de Sidney Magal em Manaus causou polêmica na última semana e segue rendendo. Parte disso ainda é reflexo da repercussão da viagem ao Caribe realizada pelo prefeito da capital do Amazonas.
Um olhar atento a tais acontecimentos pode trazer lições sobre a importância de uma comunicação eficaz, a que não apenas fala, mas a que sobretudo ouve.
Contexto um: tal anúncio aconteceu na semana em que um deslizamento provocado em um dia de forte chuva causou a morte de uma líder comunitária.
Contexto dois: tal viagem aconteceu na semana do Carnaval, quando outra chuva intensa causou – sem novidades – mais de uma centena de ocorrências.
Esses contextos se tornam ainda mais importantes pelas reações provocadas.
Reações um: claro (pelo menos para muitos parecia óbvio) que anunciar um show em meio às demandas para conter os alagamentos não cairia bem.
O que fez o prefeito? Insistiu. “Uma coisa não tem a ver com a outra”, justificou.
Reações dois: claro (também parecia óbvio) que surgiriam críticas pela ausência do prefeito para uma viagem particular durante o carnaval em meio às centenas de ocorrências pelas chuvas.
E o que fez o prefeito? Além de não se manifestar diretamente, ao retornar à cidade seu primeiro compromisso foi inaugurar um espaço da Secretaria de Limpeza com um monumento de um “touro dourado”.
Na vida pública, é preciso estar atento à comunicação tanto do gestor quanto da instituição. Ambos se complementam e se alinham em torno de um só propósito. No entanto, quando uma falha, a outra também se abala. É a chamada crise.
Gerenciar essa crise passa também por uma comunicação que reconhece erros e recua quando necessário, ainda que isso signifique “ser pautado pela oposição”, como o prefeito disse que não faria ao insistir no show.
Acontece que, nesse caso, ouvir a oposição era ouvir a população, que foi às redes do artista e – como parecia óbvio – foi ouvida por ele.
Ponto para o Magal, que ganhou ainda mais a admiração dos manauaras e aumentou a expectativa por uma vinda dele à cidade, que aliás já teve propostas da oposição.
Pontaço também dos próprios manauaras, que fizeram valer a máxima popular que não deve ser ignorada pelos gestores públicos: “voz do povo, voz de Deus”.
Por isso, desde cedo se aprende sobre a importância não apenas de aprender a falar, mas de ser compreendido e, principalmente, de saber ouvir. Comunicação é um processo de aprendizado contínuo que traz valiosas lições nos detalhes.
Gestos e atitudes dizem mais que palavras, sobretudo quando se é figura pública. Quando se trata de uma comunicação eficaz, um simples recuo também pode simbolizar um grande avanço.