Elen Viana – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A arte urbana tem crescido e ganhado visibilidade em todo o mundo nos últimos anos. No centro histórico de Manaus, um grafite representando um prato típico da região se destaca, transformando um prédio antes cinzento com novas cores e exaltando a cultura amazônica e a gastronomia local.
A nova arte gigante está sendo confeccionada na empena do antigo prédio da Receita Federal. O edifício, que possui 17 andares, cerca de 70 metros de altura e 12 metros de largura, homenageia de forma criativa o jaraqui, um símbolo cultural e gastronômico do estado, conhecido por conquistar o paladar dos visitantes do Amazonas.
Para a confecção do grafite, os artistas Jarbas Lobão, Panda e Sprok assinam a obra e trabalham no local. Em entrevista ao Portal RIOS DE NOTÍCIAS, eles explicaram como surgiu o projeto ‘Arte no Topo’ e o impacto que o grafite tem nos visitantes e amazonenses que passam pelo local.
“Esse projeto foi possível por meio de políticas públicas, como a Lei Paulo Gustavo. Com a união de forças, conseguimos viabilizar o projeto ‘Arte no Top’, homenageando um prato tão típico da nossa região. Além disso, vamos incluir também a frase ‘Quem come jaraqui, não sai mais daqui’. É importante falar sobre nossa cultura regional por meio da arte urbana, transmitindo nossa identidade”, afirmou o artista Jarbas Lobão.

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Os grafiteiros destacam que, apesar de cada um ter sua assinatura pessoal e estilo próprio, a escolha do jaraqui foi unânime. No entanto, há desafios para a pintura devido ao clima amazônico e ao trabalho em andaimes suspenso.
“A ideia surgiu em uma conversa entre nós três. Queríamos passar um conceito que representasse nossa regionalidade para as futuras gerações. Existem algumas dificuldades, especialmente com o clima de Manaus. Quando começam os picos de chuva, o coração vai a mil, mesmo com todo o equipamento e segurança. Mas, quando vemos essa vista linda da cidade, tudo vale a pena”, disse o artista Panda.

Eles ressaltaram que antes o grafite era frequentemente associado à pichação e visto como uma forma de vandalismo, mas hoje é reconhecido como uma manifestação artística cultural e social. Os artistas conquistaram espaço no mercado, em empresas, galerias e residências.
“Vencemos uma barreira muito grande em relação ao preconceito das pessoas ainda que viam isso como marginalidade, não viam como arte ou apenas perda de tempo. A gente chegou com os dois pés nas portas para poder abrir isso, forçando com o tempo conseguimos espaço e ganhar o mercado. Lugares bem mais viável” disse Lobão.
A Guardiã de Manaus
Outra obra assinada por Jarbas Lobão é a pintura da Iara, uma menina indígena cujo nome nativo na língua indígena é Mirión, que significa “Rainha das Águas”. O grafite está localizado no outro lado do prédio da Receita Federal.

O artista explica que a figura representa uma guardiã da cidade, vigiando os visitantes que chegam a Manaus pelo rio. A obra pode ser vista de longa distância, pois o Porto da cidade fica bem em frente ao edifício. A arte é uma adaptação de uma fotografia em preto e branco do fotógrafo Michel Melo, que cedeu a imagem para a pintura.
“Queremos expandir cada vez mais e colorir o centro da cidade. Minha intenção era representar algo para todos que chegam a Manaus e também para os próprios manauaras, destacando nossa regionalidade e riqueza amazônica, nosso povo”, explicou Lobão.


O artista destaca que, na imagem original, a menina não estava sobre o rio, mas a adaptação trouxe esse novo significado, reforçando ainda mais a conexão com a Amazônia e o Rio Negro.






