Rômulo Araújo, jornalista e professor
De um jeito ou de outro, a Pandemia da Covid-19 impactou a vida de todos e os reflexos disso ainda são sentidos atualmente. Passados cinco anos, o que lembramos e aprendemos com aquele período?
Começo de 2020. Estava em pleno exercício da minha dupla profissão – jornalista e professor – e da missão mais importante, pai de um pequeno de seis anos. As lembranças me são muito claras: as primeiras buscas por informações, as decisões de deixar as aulas – que eram presenciais – online.
Em 26/2/20, no dia da confirmação do primeiro caso de Covid-19 no Brasil, estava em um voo voltando de um curto recesso programado. Lembro da sensação geral de desconfiança e incertezas do que estava por vir.
Em 11/3/20, com o crescente número de casos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarava pandemia, ou seja, a doença estava espalhada pelos países e continentes.
Em 13/3/20, o primeiro caso era confirmado em Manaus/Amazonas. A partir daí, tudo (ou quase tudo) mudou.
Como jornalista, presenciar e noticiar mudanças: cada caso registrado; cada triste e impactante morte (incluindo pessoas próximas); cada distância necessária; cada limpeza nas mãos e máscaras colocadas no rosto; cada informação e desinformação; e, sobretudo, cada ato egoísta e negacionista.

Tudo isso foi tão desgastante quanto o receio de ser infectado pelo vírus.
Aqui, meu registro de admiração a cada jornalista que (sobre)viveu a tudo isso.
Como professor, o impacto imediato no ensino e na relação com os alunos – que muitas vezes não tinham como participar das aulas online, seja por condições sociais, financeiras e até por saúde mental. Mas o ‘show teve que continuar’ de ambas as partes, até usando como exemplo o que acontecia ao nosso redor.
Meu registro de admiração a cada professor/aluno que (sobre)viveu a tudo isso.

Como pai, o desafio da criação e educação naquele ‘novo’ momento. Afinal, como explicar e fazer uma criança de apenas seis anos entender que precisava ficar em casa, sem ver seus colegas pessoalmente, e usar máscara o tempo todo quando fosse necessário sair de casa?
Um momento marcante, para mim, com meu filho foi o dia que chegou minha vez de tomar a primeira dose de vacina, quando ele levou um desenho de #VacinaSim para mostrar aos profissionais de saúde.
Minha admiração, filho, e a todas as crianças que nos faziam ter esperanças!

Não posso, claro, deixar de mencionar (pelo menos alguns) dos serviços essenciais mantidos – gente que, como eu, precisou continuar saindo de casa – naqueles dias. Entre eles: saúde, comunicação, educação, segurança, transporte, entregadores, serviços funerários e de comércio, servidores públicos e tantos outros.
Lembro ainda dos tantos movimentos na internet – como de artistas – tentando nos levar um pouco de alento. Uma menção também aos pesquisadores, que se dedicaram incansavelmente às ciências, como na busca por vacinas.
Tudo isso e cada momento que relatei não pode ficar, simplesmente, como um arquivo de mídia ou da lembrança revividos a cada ciclo completado. Nós, cidadãos, e principalmente os gestores e representantes públicos precisamos ter aprendido algo com tudo aquilo.
Para mim, a maior lição foi a necessidade de senso de coletividade. E para você?