Letícia Rolim – Rios de Noticiais
MANAUS (AM) – O atual governo federal iniciou o mandato com 11 mulheres ocupando ministérios, um marco no cenário político nacional. Apesar de haver essa maior representação feminina na política, a perseguição e pressão contra ministras do atual governo é constante. O ‘Centrão’, detentor do maior número de cadeiras no Congresso Nacional, passou a exercer sua influência exigindo ministérios ocupados, em sua maioria por mulheres, além de cargos em troca da aprovação de propostas governamentais.
Essa representação feminina resulta em uma participação de 29%, um aumento significativo em relação ao passado, quando a presença feminina era praticamente inexistente. No entanto, esse número ainda é considerado baixo.
“Apesar das conquistas e da cota partidária, a gente tem uma pouca participação das mulheres dentro da representatividade política”, esclareceu a cientista política, Paula Ramos.
Para Paula, a baixa representatividade e essa pressão explicita sobre as mulheres ‘é um reflexo desse sistema patriarcal’. “Historicamente a gente sabe que as mulheres têm pouca representatividade aqui no Brasil em virtude daquela ideia que permeia o campo político de que a mulher, o lugar da mulher é na esfera privada, ou seja, esfera doméstica e o homem a esfera pública”, disse Paula.
Desde o início do governo, que já completou pouco mais de seis meses, várias ministras têm vivido momentos de instabilidade em suas posições. A exigência posta pelo ‘Centrão’ demostrar mirar as mulheres, independentemente de sua competência e experiência.
“O patriarcado persistente na sociedade coloca as mulheres constantemente em risco de serem substituídas por homens, mesmo quando demonstram competência e dedicação em suas respectivas áreas”, comentou Ramos.
As ministras Nísia Trindade e Ana Moser estão sendo ameaçadas pelo ‘Centrão’ para deixarem seus cargos. Daniela Cordeiro deixou o Turismo para Celso Sabino assumir a vaga e, agora, a presidente da Caixa Econômica, Rita Serrano, também tem o seu cargo ameaçado pelos partidos de centro.
Igualdade de gênero

A postura do ‘Centrão’ evidencia a necessidade contínua de luta pela igualdade de gênero e pelo reconhecimento do valor das mulheres nas esferas de poder. Nesse contexto, a ministra do Esporte, Ana Moser, é a mira atual do ‘Centrão’. Sua atuação à frente do ministério tem sido elogiada e reconhecida por diversas instâncias, mas o grupo político não parece levar em consideração esses aspectos.
“Faz parte esse tipo de pressão, o que nos cabe é continuar trabalhando”, disse Ana Moser após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última terça-feira, 11/7.
No entanto, apesar de assegurar que continuará no cargo, o governo sofre forte pressão e estuda mudanças nas pastas para garantir apoio no congresso. Ou seja, se Ana Moser que é o atual alvo não for substituída, as chances de outra mulher virar alvo é grande.
Saúde em foco

Outro ministério que o grupo político tem como alvo é o ministério da saúde, chefiado por Nísia Trindade Lima. Novamente uma mulher. Durante a cerimônia de sanção do novo programa Mais Médicos nesta sexta, 14/7, o presidente Lula declarou que não há possibilidades da ministra sair do cargo.
“A Nísia não é ministra do Brasil, ela é minha ministra”, declarou Lula. “Tem ministros que não são trocáveis”, disse o presidente da República. Ele também afirmou ter orgulho de tê-la escolhido para a pasta e que ela só perderia o cargo se não cumprisse com sua função.
Apesar dos desafios enfrentados pelas ministras, a presença de um número expressivo de mulheres no governo é uma conquista histórica. Essa representatividade é fundamental para que as pautas femininas sejam colocadas em destaque e para que a diversidade de vozes seja ouvida nas tomadas de decisão.
Resta esperar que o governo e a sociedade como um todo reconheçam a importância dessas conquistas e trabalhem juntos para avançarem em direção a um futuro mais igualitário.






