Letícia Rolim – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Investigações da operação realizada pela Polícia Federal contra o garimpo ilegal no Amazonas revelaram que o tenente-coronel do Exército, Abimael Alves Pinto, recebeu, aproximadamente, R$ 930 mil para repassar informações sigilosas para garimpeiros que atuam na Amazônia.
As investigações dão conta que Abimael começou recebendo cerca de R$ 20 mil por mês. E em um dos comprovantes, o valor chega a R$ 100 mil. Todo o dinheiro era destinado para a empresa da mulher do militar, que respondia pela organização.
A Polícia Federal realizou a prisão de três suspeitos e cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Manaus, Porto Velho e Paraná. Durante operação realizada na terça-feira, 27/6, em Rondônia, foi preso o dono da empresa acusado de financiar o garimpo ilegal.
Abimael serviu em Manaus em janeiro de 2020 até julho de 2021 no subcomando do Batalhão de Selva do Exército, e mesmo após sua transferência para o Paraná continuou a negociar as informações com os garimpeiros. Ao menos três operações da PF foram prejudicadas pelo vazamento de informações sigilosas.
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Em áudios da investigação divulgados no Jornal Nacional, o militar fala com alguém para avisar sobre a realização de uma operação na tríplice fronteira.
“Eu acabei de falar aqui com o meu camarada e a missão da Segunda Brigada, que é do pessoal de São Gabriel da Cachoeira, realmente está subindo o rio naquela direção. Seria bom ele sair de lá por enquanto, tá? E aí quando ele puder voltar, eu aviso”
Abimael Alves Pinto, tenente-coronel do Exército
A operação segue em andamento, investigando se outros militares e agentes públicos estão participando do esquema, além de determinar o bloqueio de bens e valores das pessoas envolvidas.
Os acusados podem responder por usurpação do patrimônio da União, extração irregular de minério, danos ambientais, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
A defesa do militar alega que Abimael “não praticou qualquer ilícito e jamais recebeu valores de criminosos para dar informações privilegiadas que pudessem interferir nas operações”. Já o Exército preferiu não se manifestar sobre o caso.






