Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – As eleições deste ano estão marcadas para o dia 6 de outubro e, no Brasil, o voto é obrigatório para cidadãos entre 18 e 70 anos.
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Amazonas conta com 2.749.346 eleitores aptos a votar. As mulheres representam 51% desse total (1.408.880), enquanto os homens correspondem a 49% (1.340.466).
Entre os eleitores, há um grupo de destaque: os idosos. Para aqueles com mais de 70 anos, o voto é facultativo, e o Amazonas registra 69.861 eleitores na faixa etária de 70 a 74 anos; 40.442 entre 75 e 79 anos; 20.460 entre 80 e 84 anos; 9.145 entre 85 e 89 anos; e 3.266 entre 90 e 94 anos.
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O Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com Maria de Lourdes Antony do Carmo Ribeiro, de 90 anos, que, apesar de não ser obrigada, faz questão de participar das eleições.
“Eu voto, primeiro porque gosto de participar, mas principalmente porque vivi duas ditaduras. Sofremos muito com isso, e eu quero democracia. Se o meu voto contribuir para manter a democracia, ele será dado com orgulho”, disse Maria de Lourdes, que presenciou o Estado Novo (1937-1945) e defende a importância do voto.
Seu filho, o advogado e cientista político Helso Ribeiro, também falou ao portal sobre o valor do voto idoso. Ele recordou que a família sofreu com a repressão política durante as ditaduras.
“Na ditadura de Vargas, meu avô, o jornalista Aristophano Antony, foi preso e ficou incomunicável. Isso abalou muito a nossa família. Na ditadura militar, meu pai e meu tio Arthur também foram perseguidos, e meu pai chegou a ser cassado. Tudo isso marcou nossa trajetória”, relatou.

Helso destacou que o voto dos idosos vai além do simples ato de cidadania. Para ele, esse eleitorado tem o poder de influenciar políticas públicas voltadas às suas necessidades.
“O voto do idoso é essencial, pois muitos projetos urbanos, como a acessibilidade nas calçadas, afetam diretamente essa população. O idoso carente tem as mesmas demandas que qualquer cidadão: acesso à água, energia, pavimentação. Com a idade, o voto torna-se mais consciente e qualificado”, afirmou.
Além disso, o voto dos idosos conta com prioridade nas filas das seções eleitorais. Caso haja mais de um idoso presente, eles são chamados de maneira alternada, garantindo maior fluidez no processo de votação.
Outro ponto de interesse para os aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é que o voto já pode servir como prova de vida, conforme portaria do órgão emitida há cerca de dois anos.
“Esse procedimento, pouco divulgado, facilita a vida dos aposentados, evitando o deslocamento para cumprir essa exigência anual do INSS”, explicou Helso Ribeiro.












