Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Seja por acidentes envolvendo caminhões que circulam acima da altura permitida atingindo a fiação elétrica ou postes com diversos fios, a atual rede elétrica da capital amazonense tem causado preocupação e dor de cabeça na população manauara.
Exemplo disso, foi quando um poste de energia elétrica pegou fogo no dia 13 de agosto deste ano, no cruzamento entre as avenidas Salvador e Mário Ypiranga Monteiro, na zona Centro-Sul. Motoristas que trafegavam na região enfrentaram um congestionamento mais intenso que o normal. Além disso, as redes de energia e internet foram comprometidas na cidade.

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A fiação subterrânea tem se destacado nos últimos anos como uma alternativa inovadora e eficiente em substituição à tradicional fiação aérea, ou seja, aquela em que os fios ficam presos em postes. Essa tecnologia, que consegue ocultar os fios sob o solo, proporciona uma série de benefícios, desde estética urbana a melhorias na qualidade e confiabilidade dos serviços.
Diante desses questionamentos, o Portal RIOS DE NOTÍCIAS conversou com especialistas que apontaram as vantagens e desvantagens do modelo de instalação elétrica subterrânea, além de ressaltar quais contextos seriam mais favoráveis para evitar incidentes com a rede elétrica.
Vantagens e desvantagens
O professor doutor Florindo Ayres Júnior, que é chefe do Departamento de Eletricidade da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), destaca que a questão principal para a instalação elétrica subterrânea, é o ponto de vista financeiro: ela é mais cara para implementar, além de toda mudança necessária na infraestrutura já existente atualmente.
“Claro que do ponto de vista estético seria excelente, entretanto apenas a partir de uma transição de padrão em algumas partes da cidade seria o caminho para isso. Existem algumas partes de cidades brasileiras como Curitiba e São Paulo que já possuem parte de sua instalação elétrica subterrânea”, declarou o especialista.
Um estudo realizado em São Paulo revela que custaria algo em torno de R$ 80 bilhões para aterrar os mais de 20 mil quilômetros de fiação de telecomunicações da cidade, de acordo com informações do presidente-executivo da Telcomp, Luiz Henrique Barbosa.

Apesar do alto custo, o professor ressalta que uma das principais vantagens deste tipo de padrão é a mitigação do rompimento de cabos condutores, seja por acidentes, instalações clandestinas ou até furtos.
“Vemos este tipo de situação rotineiramente em Manaus. Além disso, esse padrão reduz a quantidade de instalações elétricas clandestinas por restringir mais o acesso aos condutores e melhora do ponto de vista da poluição visual da instalação elétrica aérea tradicional”, disse Ayres Júnior.
Compartilhamento de postes
O engenheiro eletricista Amarildo Lima, que é conselheiro federal do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea), relembra que as redes de distribuição de energia elétrica (postes, cruzetas, chaves, transformadores, condutores, para-raios etc) estão instaladas basicamente em todos os logradouros nos centros urbanos e rurais.
“As mesmas são utilizadas inclusive pelas prefeituras através de convênios para instalações da iluminação pública, sendo estas de responsabilidade dos municípios, inclusive o gerenciamento dos recursos advindos das cobranças das contribuições de iluminação pública nas faturas de energia elétricas”, falou o engenheiro.

Amarildo Lima considera como fundamental que operadoras de telefonia, provedores de internet e TV à cabo, instalem suas respectivas estruturas nestes postes a partir de projetos a serem apresentados, aprovados e autorizados e fiscalizados pelas concessionárias de energia elétrica.
“Em outras palavras, o compartilhamento deve acontecer por um mecanismo regulatório que passa pelas agências reguladoras de energia elétrica, tendo como finalidade evitar as instalações irregulares e desordenadas nos postes, que geram riscos à vida e aos bens móveis e imóveis da população”, informou o especialista.
Manaus na contramão?
A Justiça Federal suspendeu novamente, no início do mês de agosto, a instalação dos “medidores aéreos” (SMC) de energia elétrica em Manaus. O juiz federal Ricardo Sales, da 3ª Vara Federal Cível do Amazonas, reverteu parcialmente uma decisão anterior que havia suspendido a proibição.
Com a nova decisão, a proibição de instalar os medidores permanece. A Defensoria Pública do Amazonas (DPE-AM) argumenta que a instalação do novo sistema prejudica os consumidores, uma vez que estão sendo colocados a uma altura de quatro metros, dificultando a fiscalização do consumo.

Na ação, a Defensoria pede a substituição do Sistema de Medição Centralizada (SMC) por medidores convencionais, a anulação das faturas com irregularidades detectadas pelo Instituto de Pesos e Medidas do Estado do Amazonas (Ipem-AM) e a condenação da Amazonas Energia ao pagamento de R$ 3 milhões por danos morais coletivos e danos sociais.
Sem resposta
O Portal RIOS DE NOTÍCIAS pediu por diversas vezes um posicionamento da Amazonas Energia quanto a possibilidade de instalação da rede elétrica subterrânea. No entanto, até o momento não obteve retorno. O espaço segue aberto.






