Gabriel Lopes – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Marciele Albuquerque e Isabelle Nogueira, cunhãs-porangas dos bumbás Caprichoso e Garantido, se manifestaram em suas redes sociais contra a tese do Marco Temporal, que reconhece apenas a ocupação tradicional indígena na data de promulgação da Constituição, 5 de outubro de 1988.
Um pedido de vista coletivo adiou para outubro a deliberação da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 48/2023. O adiamento foi acertado entre os membros da CCJ, após a leitura de parecer favorável do senador Esperidião Amin (PP-SC).
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Em meio a possibilidade de aprovação, a cunhã-poranga do Boi-Bumbá Caprichoso, Marciele Albuquerque, que é indígena Munduruku, ao lado de seu companheiro, Thiago Yawanawa, destacou que a bancada ruralista do Congresso está tentando mudar a cláusula pétrea que assegura o direito dos povos indígenas.
“Agora eles querem mudar a Constituição para tornar e aplicar uma lei que é ilegal. Demarcar as terras indígenas é a nossa melhor chance de combater e reduzir os efeitos da crise climática. A nossa luta é pela vida, o nosso marco é ancestral. Sempre estivemos aqui!”, destacou Marciele Albuquerque.
A cunhã-poranga do Boi-Bumbá Garantido, Isabelle Nogueira, classificou como “grave” abrir margem para a exploração predatória em terras indígenas já demarcadas. Ela considera que “os povos e as terras indígenas do Brasil estão novamente sob ameaça”.
“Agora, o Senado quer seguir ignorando os pareceres técnicos e a história do nosso povo e o direito básico à sua terra. A PEC 48 ameaça a vida dos povos indígenas, a vida dos biomas brasileiros, a existência de um futuro mais justo para todos. Vamos dizer não ao marco temporal, não à PEC 48. Junte-se a nós nessa luta”, declarou Isabele Nogueira.






