Gabriela Brasil – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Com altos índices de crimes violentos, em comparação à média nacional, a Amazônia Legal tem sido um local marcado pelo aumento do crime organizado e da circulação de drogas. Entre os Estados da região, o Amazonas tem apresentado as maiores taxas de crimes violentos letais em 2022.
O grave quadro de violência e insegurança na Amazônia Legal e em particular no Amazonas foi apontado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado na segunda-feira, 5/6. Apenas em 2022, cerca de 8 mil pessoas foram mortas por crimes violentos letais intencionais. A categoria inclui: vítimas de homicídio doloso, latrocínio e lesões corporais seguidas de morte.
Ainda de acordo com o levantamento, a Amazônia Legal (representada pelos Estados do Amazonas, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, Pará, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão) registrou, em 2022, cera de 26,7 mortes para cada 100 mil habitantes. O índice é 50,7% maior que a taxa da maioria dos Estados que contabilizaram cerca de 17,7.
No Amazonas, a taxa de vítimas violência letal em 2022 foi ainda maior: de 33,1 para cada 100 mil habitantes, um total de 1.432 assassinatos. Apesar do alto número de mortes, o ano anterior registrou um recorde de assassinatos com 1.571 vítimas, o que representa 33,1 mortes violentas para cada 100 mil habitantes.
O índice de mortes por ações policiais também é alto na Amazônia Legal. De acordo com o FBSP, em 2021, o número de pessoas mortas por policiais civis e militares foi de 1.057, uma taxa 3,6 para 100 mil habitantes. Já a média nacional foi de 2,8 por 100 mil habitantes.
Fluxo do narcotráfico e espaço carcerário

O estudo chama atenção para o intenso fluxo do narcotráfico presente na região Amazônica. Os Estados do Amazonas, Acre e Rondônia possuem fronteiras com os três principais produtores de drogas do mundo: Peru, Colômbia e Bolívia.
É neste cenário que as principais facções criminosas do país disputam o domínio das rotas para o escoamento das drogas. Os conflitos produzidos por eles perpassam e intensificam outros crimes ambientais como atividades madeireiras ilegais, tráfico de pescado e garimpo ilegal.
Outro ponto apresentado pelo estudo para o acentuado índice de violência na Amazônia Legal é a consolidação do crime organizado dentro das prisões. Nestes espaços, facções criminosas conseguem novos integrantes em troca de segurança e outros benefícios.
De acordo com o estudo, esta lógica se sustenta com a falta de condições para cumprimento das penas, como a superlotação da população carcerária. De 2016 para 2022, a população carcerária do Amazonas passou de 11.064 presos para 13.271.
“Quanto mais superlotadas estão as cadeias, piores são as condições para o cumprimento da pena por parte do preso e mais fácil é para as organizações conseguirem angariar novos membros para suas atividades. Nos Estados que compõem a Amazônia Legal, é justamente essa realidade que vêm auxiliando na consolidação da presença de facções, sejam aquelas originárias do Sudeste do país, sejam as facções oriundas da própria região Norte”
Fórum Brasileiro de Segurança Pública
Combate ao crime organizado
Conforme o especialista em segurança pública Walter Cruz, o Amazonas possui uma grande complexidade territorial, a qual possui fronteiras secas e molhadas, assim como também é ocupada por uma densidade demográfica muito pequena em relação ao grande tamanho territorial.
Todos esses elementos, conforme o especialista, facilitam atuação do tráfico. Neste sentido, ele aponta que seriam necessários três fatores essenciais para o enfrentamento dos altos crimes letais no Amazonas: orçamento, vontade política e prioridade do conflito por parte dos órgãos de segurança.
“A partir destes fatores é preciso investir em tecnologia, treinamento, inteligência e integração entre as forças de segurança. Eles são importantes para o planejamento do enfrentamento aos crimes”
Walter Cruz, especialista em segurança pública
Em sua avaliação, no entanto, não há atenção necessária para o principal ponto para combater a violência no Amazonas, a atenção ao crime organizado. “Hoje uma facção está dominando o tráfico de drogas em diversos municípios”, concluiu.






