Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – Em entrevista ao Jornal da RIOS FM 95,7, nesta segunda-feira, 24/6, a coordenadora clínica do Centro Oncológico do Hospital Adventista, Bárbara Melão, discutiu a importância da vacinação contra o HPV e os desafios enfrentados na prevenção do câncer, que afeta mais de 700 mil pessoas anualmente no Brasil, com projeções preocupantes de crescimento até 2050.
De acordo com a especialista, a expectativa é que o crescimento do número de cânceres até 2050 seja de mais de 70%. “A gente passa de um pouco mais de 20 milhões de casos para mais de 35 milhões até 2050. Realmente tem aumentado”, alertou.
“Ao contrário do que muitos pensam, a maior parte dos cânceres não é genética. Em torno de 10% a 15%, isso varia de um tipo de tumor para outro, mas a maior parte não é genética. Elas são causadas por fatores ambientais. Então, a gente sabe que alguns fatores são bem conhecidos. O tabagismo, o álcool, radiação ultravioleta, algumas infecções a gente traz para o câncer de colo de útero. Então, as próprias hepatites são fatores de risco para câncer do fígado”, complementou.
O HPV, vírus associado a diversos tipos de câncer como colo de útero, anal, orofaríngeo e peniano, destaca-se como uma preocupação de saúde pública.
“A infecção pelo HPV está associada à maior parte dos cânceres de colo de útero, mas também a mais da metade dos cânceres de pênis. E a estatística do Amazonas é um pouquinho diferente da nacional. Porque no Brasil, o câncer de próstata é o mais comum. Aqui no Amazonas também. Mas no que se refere às mulheres, o câncer de mama é o mais comum. Mas, infelizmente, aqui a estatística do estado demonstra que o câncer de colo de útero é a neoplasia (tumor) mais comum. Mas é evitável”, ressaltou.
Vacinação
Apesar da vacina contra o HPV ser disponível gratuitamente para meninos e meninas de 9 a 14 anos, apenas recentemente foi incluída no calendário nacional de imunização, após décadas de eficácia comprovada em outros países.
“A vacina já existe há muito tempo na Europa, Austrália e EUA. Os casos de câncer no mundo, de câncer de colo de útero específico, que são preveníveis pela vacina do HPV, caíram vertiginosamente. Já existe um controle muito melhor nesses países. Aqui, infelizmente, ela só foi incluída no calendário do Ministério da Saúde há poucos anos, há cinco anos. E quando foi incluída, foi apenas para as meninas. Hoje, o governo incluiu os meninos. Ela é gratuita e é muito mais eficaz antes da primeira relação sexual. Por isso, a faixa etária de 8 aos 14 anos”, explicou.
Conscientização
Além da vacinação, ela ressaltou a necessidade de conscientização sobre os fatores de risco modificáveis, como tabagismo, consumo excessivo de álcool, exposição à radiação ultravioleta e hábitos alimentares inadequados, que contribuem significativamente para o aumento da incidência de câncer. Outro desafio mencionado foi a adesão aos programas de rastreamento, especialmente entre os homens.
“Então, o que é rastrear? É eu examinar, de forma sistemática, pessoas que não têm sintomas. Periodicamente, aquelas pessoas, mesmo sem sintomas, vão ao médico para rastrear aquele determinado tipo de doença. Hoje temos as campanhas de Outubro Rosa, Novembro Azul, Abril Lilás, no Junho Vermelho etc, que são de fundamental importância para levar essa informação para a população, que é quem vai se beneficiar dela”, detalhou.






