Júlio Gadelha- Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A taxa de analfabetismo entre os indígenas no Brasil caiu de 23,4% para 15,1%, entre os anos de 2010 a 2022. Apesar dessa queda significativa, a taxa ainda é mais que o dobro da média nacional de 7%.
Segundo o Censo 2022 do IBGE, 490.935 pessoas no Amazonas se consideram indígenas, representando 12,46% da população do estado. O índice de analfabetismo na região é de 14,1%.
Redução por Região
A redução do analfabetismo indígena foi observada em todas as grandes regiões do Brasil. No Norte, a queda mais expressiva foi de 31,3% para 15,3%, seguida pelo Centro-Oeste (de 20,8% para 12,7%) e o Nordeste (de 24,4% para 18,0%).
Declaração do IBGE
Marta Antunes, coordenadora do Censo de Povos e Comunidades Tradicionais do IBGE, afirmou que essa redução “é reflexo do investimento na educação diferenciada de crianças, jovens e adultos indígenas, no período intercensitário, e a ampliação do pertencimento étnico-indígena fora das Terras Indígenas, quando comparado com 2010”.
Comparação com Outros Estados
Comparado com outros estados da Região Norte, o Amazonas tem uma das menores taxas de analfabetismo indígena em paralelo ao Acre, 23,9%, e Roraima, 20,7% que apresentam níveis preocupantes.
No nível nacional, alguns estados superam a média de alfabetização indígena como o Rio de Janeiro com 4,9% e Distrito Federal com 5,5%.
Desafios na Educação Escolar Indígena
Joilson da Silva Paulino, da etnia Karapãna e responsável pela educação escolar indígena no EELMCTI Wakenai Anumarehit no Parque das Tribos, em Manaus, destaca a complexidade dos avanços na educação indígena no Brasil.
Ele ressalta que a alfabetização é um critério baseado no domínio da língua portuguesa e no conhecimento ocidental. Para Joilson, os jovens indígenas não têm “essa cultura do japonês, do chinês, do americano de estar dentro de uma sala de aula, numa creche, para que seja aplicada o conhecimento da alfabetização”.
O líder indígena considera que “os povos indígenas têm suas peculiaridades de aprender e ter suas próprias sabedorias, e isso é o maior desafio para o estado na regularização do ensino da língua”.






