Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Oriente Médio está novamente no centro das atenções devido a uma escalada de tensões entre Israel e Irã. Na manhã do dia 19 de abril, o exército de Israel respondeu ao ataque de Irã lançando mísseis contra o país.
Embora Israel não tenha confirmado oficialmente sua autoria no ataque, a retaliação ao bombardeio de Irã é clara. O governo iraniano declarou que sua defesa aérea frustrou o ataque, minimizando os danos à infraestrutura. Ambos os lados demonstram força e capacidade de reação, mas o risco de um conflito total permanece iminente.
Em entrevista exclusiva à Rádio RIOS FM 95,7, Emanuel Pessoa, advogado especialista em Direito Internacional, ofereceu insights sobre as origens do conflito. Ele destacou o financiamento do Irã a grupos terroristas na região, como Hezbollah e Hamas, e a escalada de violência após ataques anteriores a Israel.
“Já há muitas décadas, por conta das questões religiosas, o Irã vem financiando, dando auxílio logístico, financiamento a grupos que atuam de forma terrorista ali na região, como, por exemplo, o Hezbollah, que atuou mais ao Norte de Israel, perto da fronteira com Líbano, e agora, mais recentemente, também com Hamas, que é o grupo terrorista da área palestina”, disse.
Pessoa explicou que a situação política interna em Israel também contribui para a intensificação do conflito. Ele mencionou a recente renúncia do general Aron Aliva, diretor de serviço de inteligência militar de Israel, em meio à pressão política sobre o governo de Netanyahu. Segundo ele, os ataques terroristas fortalecem a posição política do premier israelense, impedindo uma queda iminente.
“Se esses ataques não tivessem acontecido, o governo Netanyahu já teria caído, porque ele tentou realizar uma reforma impopular em Israel e vem sofrendo ataques e acusações de corrupção. Ele teria caído se não fossem os ataques. Os ataques podiam ter antecipado a queda dele porque foi uma falha muito grosseira da inteligência israelense, que sempre se gabou de ser de espionagem militar e de altíssimo nível”, esclareceu o especialista.

Terceira Guerra Mundial?
Emanuel Pessoa considera improvável uma escalada para um conflito em larga escala. Ele observa que os recentes ataques foram limitados e destinados principalmente a fins políticos internos e externos. No entanto, ele alerta que o conflito pode arrastar outras potências globais, como Rússia, China e Estados Unidos, para o cenário.
“Improvável. Quando Irã fez o ataque no Israel, matou apenas uma pessoa. Se eles quisessem realmente fazer uma tática mundial, teriam mandado a força aérea, não drones. Na verdade, eles precisavam dar uma resposta interna para pacificar internamente a política iraniana e também, do ponto de vista internacional, os apoiadores do Irã. Por isso, foi um ataque muito limitado. Então, são dois países que sabem estar em guerra, vão arrastar dezenas de outros países por conflito. Mas é um conflito que tem o poder de envolver direto e indiretamente Rússia, China e Estados Unidos”, disse.
Sobre o apoio internacional, Pessoa destaca que o posicionamento dos Estados Unidos é crucial. Ele observa uma mudança na retórica americana em relação a Israel, com críticas crescentes devido a questões internas e externas. A retórica antissemita nos Estados Unidos também preocupa, pois pode isolar ainda mais Israel no cenário internacional.
“O mais importante é saber onde está o apoio americano, o russo e o chinês. E, notoriamente, a Rússia e a China têm um alinhamento hoje mais natural com os países árabes por conta das questões de petróleo do que com Israel. Até porque é uma questão geopolítica, já que Israel tem um alinhamento melhor com os EUA. O grande problema que tem acontecido é que o discurso antissemita nos EUA tem crescido, inclusive dentro do próprio partido do presidente Biden, de forma que os americanos têm dado um apoio cada vez mais crítico à Israel, ao contrário do apoio que existia antigamente, que era irrestrito”, explicou o especialista.
Impacto da guerra no Brasil
Ao discutir os impactos globais do conflito, Pessoa destaca o aumento do preço do petróleo como uma consequência imediata. Ele explica que qualquer instabilidade no Oriente Médio afeta os preços do petróleo, o que, por sua vez, afeta a economia global, incluindo o Brasil.
O aumento dos preços dos combustíveis tem um impacto direto nos custos de transporte e nos preços dos produtos para os consumidores brasileiros.
“Qualquer conflito no Oriente Médio gera uma consequência imediata, que é o aumento do preço do petróleo. Toda vez que há um problema, um bombardeio, uma confusão, um estranhamento, o preço do petróleo sofre um aumento automático e acaba sendo um problema porque gera uma pressão para aumentar aqui no Brasil também, porque exporta o petróleo cru e refinado”, esclareceu.
“Até mesmo para o Brasil conseguir pagar essa conta de balanço internamente, na venda do petróleo refinado, acaba tendo que repassar para o consumidor. E como a maior parte do transporte no país, de tudo que se come e se consome é feito por caminhão, o aumento do preço da gasolina pega não apenas o orçamento das pessoas que utilizam o carro, mas também tem um efeito em praticamente em todos os produtos do Brasil”, pontuou o especialista.






