Júlio Gadelha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – De acordo com levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o estado do Amazonas registrou 86 conflitos por terra em 2023, predominantemente envolvendo indígenas, mas também sem terra, posseiros, extrativistas e ribeirinhos.
A região Norte do país concentrou o maior número de conflitos, com 810 ocorrências, seguida pelo Nordeste com 665. Na sequência, estão o Centro-Oeste (353), o Sudeste (207) e o Sul (168).
Os estados com maior número de conflitos por terra são Bahia (202 casos), Pará (183) e Maranhão (171).
Recorde de conflitos

Em 2023, o Brasil alcançou um recorde com 2.203 conflitos no campo, afetando a vida de pelo menos 750 mil pessoas, o maior volume desde 1985, quando a CPT iniciou o levantamento.
Apesar do aumento nos números em comparação ao ano anterior, a área em disputa diminuiu em 26,8%, agora totalizando cerca de 59,4 mil hectares. Além disso, o número de mortes reduziu de 47 em 2022 para 31 em 2023.
O relatório indica que 16.805 famílias foram afetadas por esses conflitos. Além disso, houve a ocorrência de 10 conflitos por água em municípios amazonenses no mesmo período, impactando 1.959 famílias.
Regiões mais afetadas no AM
O município de Boca do Acre, localizado a 1.018 km de Manaus, destacou-se como a região mais conflituosa do Amazonas em 2023, com 27 disputas por terra. Os principais envolvidos foram posseiros, seringueiros e extrativistas.
Em segundo lugar, Autazes (a 130 km de Manaus) e a capital empataram, registrando sete conflitos cada. Em Autazes, todos os conflitos foram em ocupações indígenas, afetando 438 famílias. Na capital amazonense, as ocorrências envolveram tanto indígenas quanto posseiros e impactaram 555 famílias.
Os posseiros são lavradores, junto com suas famílias, que ocupam pequenas áreas de terras devolutas ou improdutivas, ou seja, terras que não estão sendo utilizadas e que pertencem ao governo geralmente.
Outra região indígena bastante afetada foi a do Vale do Javari, abrangendo os municípios de Atalaia do Norte (a 1.130 km de Manaus), Benjamin Constant (a 1.110 km de Manaus), Jutaí (a 740 km de Manaus) e São Paulo de Olivença (a 980 km de Manaus). Nessa área, ocorreram seis conflitos de terra, afetando 1.579 famílias.
Conflito indígena

Todos os estados do Brasil registraram conflitos por terra, e em todos eles envolvem os povos indígenas.
Os povos e comunidades tradicionais foram alvo de 1.394 ocorrências do total de 2.203 registrados em 2023, o que equivale a 63,2% de todos os conflitos por terra no país.
No ano passado, das 31 pessoas assassinadas, 14 eram indígenas, representando 45,17% do total. Em 2022, esse número foi de 47 homicídios. Em relação aos 1.576 conflitos registrados, 41,6% envolveram povos indígenas.






