Vívian Oliveira – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – A saúde é assunto de interesse da população amazonense, e dessa forma o Jornal da Rios, da Rádio RIOS FM 95,7, entrevistou as diretoras de dois hospitais públicos de Manaus que compartilharam os desafios e particularidades de suas instituições.
Juliana Medeiros, diretora do Hospital e Pronto Socorro João Lúcio Pereira Machado, destacou a complexidade dos serviços oferecidos pela instituição, situada na zona Leste. Por outro lado, Roberta Nascimento, diretora do Hospital do Coração Francisca Mendes, ressaltou a excelência do atendimento cardíaco e a demanda constante por serviços especializados.
O Hospital e Pronto Socorro João Lúcio, conhecido como o “gigante da Zona Leste”, é referência em urgência e emergência, oferecendo uma gama diversificada de serviços, desde clínica médica até neurocirurgia de emergência. “Dispomos de uma equipe multidisciplinar que se dedica todos os dias para fazer o melhor atendimento possível”.
Ela também enfatizou o desafio de educar a população sobre a importância de procurar a unidade de saúde adequada para cada tipo de atendimento, evitando sobrecarregar o sistema.
“O grande desafio é a gente conseguir demonstrar para a população o perfil do João Lúcio. E a gente ainda cai muito naquela história de que uma dor de cabeça acaba sendo atendido num pronto-socorro de urgência e emergência. E nós deixamos de atender senão acaba sobrecarregando o sistema. Por exemplo, aconteceu um acidente automobilístico e o paciente está com perda de massa encefálica. Qual é a prioridade? Uma dor de cabeça ou um trauma? Esse é o ponto. Então, para que a pessoa não fique várias horas esperando atendimento, o mais indicado é que ela procure a unidade referente àquilo que ela está sentindo”, esclareceu Juliana.
Distribuição de pacientes
Um dos pontos de destaque na entrevista foi a discussão sobre a distribuição de pacientes entre os hospitais. Juliana Medeiros explicou que o João Lúcio recebe uma grande quantidade de vítimas de acidentes, especialmente nos finais de semana, sendo o primeiro ponto de atendimento para muitos casos de trauma na cidade.
Por outro lado, Roberta Nascimento revelou que o Francisca Mendes absorve pacientes dos três hospitais pronto-socorro, adulto e infantil, enfatizando a importância da regulação para garantir um fluxo adequado de atendimento.
Ambas as diretoras concordaram que há uma necessidade de ampliação das unidades para atender à crescente demanda da população. Juliana Medeiros destacou que o João Lúcio precisa de mais leitos para lidar com a alta demanda de pacientes.
“No João Lúcio são 248 leitos cadastrados. Fora os extras que nós temos. Há um estudo que foi feito pela SES-AM, anterior à minha gestão, e eles chegaram num número proporcional de, pelo menos, mais 120 leitos”, revelou Medeiros.
Já Roberta enfatizou a importância de uma gestão eficiente dos recursos disponíveis. Com 152 leitos ativos e uma abordagem totalmente intervencionista, o Francisca Mendes realiza procedimentos cirúrgicos e cardíacos de forma ágil e eficiente.
Segundo Roberta, o hospital se destaca pela sua capacidade de oferecer atendimento completo, desde o procedimento inicial até a reabilitação do paciente.
“Nós temos pacientes de eletrofisiologia, de marca-passo, revascularização do miocárdio, tratamento vascular e muito mais”, afirmou Nascimento.
Segundo a diretora, a demanda é alta e constante, o que exige um trabalho árduo por parte da equipe médica e administrativa. Além disso, Roberta ressaltou a importância do trabalho educativo realizado pela instituição.
Programas como a “Sala de Espera” oferecem palestras sobre saúde, alimentação e prevenção de doenças, visando conscientizar os pacientes e evitar demandas de urgência no futuro. O hospital, que completa 25 anos em 2024, tem se consolidado como um pilar da saúde cardiovascular na região.
Mudança
Desde 2020, o Francisca Mendes faz parte da Secretaria de Estado de Saúde, após anos de gestão por uma instituição privada. A mudança para o perfil cardiovascular e intervencionista trouxe novos desafios e oportunidades para a instituição. Exames especializados, como a angiotomografia, são realizados exclusivamente pelo hospital, atendendo não apenas à população da capital, mas também aos pacientes do interior do estado.
“Nossa demanda é sempre maior do que a nossa oferta. É um trabalho muito árduo, diário que, embora sejamos gestores de alta complexidade, nós fazemos o trabalho da atenção primária também. Porque, se não fizermos o trabalho na comunidade, de educação continuada, vai refletir em alta demanda fora do perfil”, concluiu.






