Lauris Rocha – Rios de Notícias
MANAUS (AM) – O Boi Caprichoso azulou a arena do Bumbódromo no encerramento da primeira noite do 58º Festival Folclórico de Parintins, já na madrugada deste sábado, 28/6, com o subtema “Amyipaguana: Retomada pelas Lutas”. A apresentação exaltou as crenças originárias e fez uma denúncia simbólica às distorções impostas pelo processo colonial.
Com três grandiosas alegorias, dois módulos alegóricos, cerca de 1.800 brincantes e 300 marujeiros, o espetáculo azul e branco combinou tradição, força narrativa e inovação tecnológica.
Sob a produção do presidente do Conselho de Artes, Ericky Nakanome, e direção de arena de Edwan Oliveira, o Caprichoso construiu uma apresentação visualmente impactante.
O apresentador Edmundo Oran, suspenso em um módulo aéreo, surgiu entre luzes e fumaça defendendo o tema com intensidade, enquanto o icônico Touro Negro da América sobrevoava a arena para delírio da galera azulada.
Entre os destaques, a cunhã-poranga Marciele fez sua evolução no Item 9 ao som da toada “Guerreira das Lutas”. Ela surgiu da Lua de Yurupari – figura mitológica do povo indígena – simbolizando a resistência feminina e espiritual dos povos da floresta.

Video Mapping: a tecnologia a serviço da tradição
Um dos pontos altos da apresentação foi o uso do video mapping, técnica de projeção mapeada que transformou o chão da arena e as alegorias em superfícies dinâmicas, ampliando a imersão do espetáculo. As imagens em movimento criaram ambientações surreais e transições narrativas que dialogaram com os elementos cênicos ao vivo.
O Caprichoso mapeou cerca de 1.500 metros quadrados da área do Bumbódromo e utilizou modelos 3D para garantir precisão nas projeções. A técnica já havia sido usada pela primeira vez pelo bumbá em 2017, reforçando seu pioneirismo no uso de tecnologia como extensão da arte folclórica.
“A proposta é potencializar a narrativa, criando transições mágicas, ambientações surreais e efeitos visuais que interagem com o espetáculo ao vivo. É como dar uma nova camada de expressão à tradição”, explicou o artista visual Ronan Marinho.
Para o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, o uso da tecnologia não substitui, mas complementa a tradição.
“Exaltamos nossa cultura com inteligência e inovação. A tecnologia está a serviço da arte, sem apagar a força do que somos”, afirmou.






